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sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Onde Está o Carlinhos?


Nesta época, eu já estava morando em São Paulo e ainda era solteiro. Todas as minhas férias anuais do trabalho, eu ia passar na casa de meus pais, no interior. No quintal da casa, entre outras árvores, a horta e o jardim, havia um imponente abacateiro. Bem, nesta época, infelizmente, eu estava afastado da igreja, e havia desenvolvido o vício do cigarro. Quando sentia necessidade de fumar,  ia pra rua, mas neste dia, não estava afim de sair. Procurei uma nova maneira de fumar um cigarro "escondido" de meus pais, ali mesmo, no quintal. Subi no abacateiro e sentei-me confortavelmente em um dos galhos mais altos da árvore e ascendi o dito cujo. Soltando  baforadas, admirava a paisagem que se estendia:  grande parte dos bairros e o centro da cidade mais ao longe. Embaixo da árvore, o mesmo cenário dos tempos da infância: de um lado, a horta de verduras e legumes, cultivada por meu pai; do outro, o jardim de plantas ornamentais de minha mãe; o cercado de patos, o galinheiro, as outras árvores frutíferas, como laranjeira, pé de mexerica, jabuticabeira, mangueira, e alastrando-se por toda a cerca que separava nosso quintal dos quintais  vizinhos, o pé de maracujá, que tem forma de trepadeira. Meu pai estava por ali, cultivando um canteiro e outro. De onde eu estava, dava para ouvir o barulhinho agradável da enxada brandida por ele a cultivar a terra. De repente, ouço minha mãe me chamar lá de dentro da casa: "Carlinhos! Carlinhos!". Eu ainda estava fumando, e ouvindo aquele brado, fiquei o mais imóvel e silencioso possível. E o medo de ser flagrado! Meus pais abominavam qualquer tipo de vício, e se me vissem fumando, seria a maior decepção, pois eles haviam criado a mim e a meus irmãos de forma rígida, dentro do cristianismo. Estremeci novamente ao ouvir a voz materna: "Carlinhooooos!". Continuei em meu silêncio, ali, encarapitado em cima da árvore. "Onofre, onde está o Carlinhos?" - minha mãe, agora na porta da cozinha, indagava a meu pai se sabia onde eu estava, ao que ele respondeu: "Está lá em cima do abacateiro, fumando."  Os dois, em silêncio, entraram para dentro de casa. Deixei passar alguns longos minutos, desci da árvore, entrei em casa pela porta da cozinha.   Não comentaram nada comigo a este respeito, nem neste dia, nem em outro dia qualquer. Mas foi a partir deste dia, que decidi deixar o hábito do tabagismo. Não foi fácil; foi um longo processo, pois já estava bastante dependente deste vício. Já há muitos anos, estou liberto! 

"Mas Deus sabe o meu caminho; prova-me, e serei como o ouro." - Jó 23, 10.

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